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Capítulo 6 — Novo Lar

  A chuva fina e gelada continuava a cair sobre a Capital de Eldória, lavando o sangue derramado nas ruas de paralelepípedo, mas absolutamente incapaz de limpar a mancha na minha alma.

  Eu caminhava com passos arrastados, as roupas pretas grudadas no corpo encharcado, em dire??o à imponente carruagem da família real de Sentostela. O bras?o de uma estrela cadente cruzando um escudo brilhava na porta de madeira escura.

  Minha m?o já estava erguida para alcan?ar a ma?aneta quando passos pesados e metálicos estalaram nas po?as d'água atrás de mim.

  — Igris! Espere!

  Parei. Eu conhecia aquela voz.

  Era Zigles Heisenberg, o Comandante Geral das For?as Armadas de Eldória. Meu tio por parte de m?e. Ao lado dele, sob a prote??o de um guarda-chuva sustentado por um servo trêmulo, estava o próprio Rei Aldric von Eldória, com o rosto envelhecido pela tragédia.

  Virei-me devagar. O rosto do meu tio estava contorcido em uma mistura de luto, dor e desespero genuíno.

  — Aonde você pensa que vai? — Zigles perguntou, a voz grave falhando e embargando na chuva. — Você n?o pode ir embora com estrangeiros. Vai abandonar o seu reino? A sua honra? Eu sei que você está quebrado por dentro com o que houve ontem à noite, Igris... pelos deuses, ela era minha irm?! Mas a sua casa é aqui! Nós vamos cuidar de você. Nós faremos justi?a!

  A minha Inteligência 20 processou aquelas palavras na velocidade de uma flecha.

  Eldória. O autoproclamado Reino da Justi?a. O reino amarrado por uma burocracia doente onde a lei do "Julgamento de 1 Ano" protegia até os dem?nios se n?o houvesse provas suficientes. O reino que n?o executaria Zack Wolford no momento em que o visse, mas o prenderia em uma cela confortável para garantir os "direitos" dele.

  A chuva bateu no meu rosto, misturando-se com as minhas lágrimas, mas a sensa??o que dominou o meu peito foi a de puro nojo.

  — Pare, Zigles. — Minha voz n?o soou como a de uma crian?a. Saiu gélida, cortante e desprovida de qualquer emo??o infantil. O Rei Aldric arregalou os olhos diante do meu tom desrespeitoso. — Eu n?o quero ouvir mais nenhuma palavra sua.

  — Igris, por favor...

  — Onde você estava? — eu o cortei, gritando. Apertei os punhos com tanta for?a que senti minhas unhas perfurarem a carne das palmas, o sangue quente misturando-se à água fria. — Na hora em que a poeira baixou e todos nós íamos morrer... onde estava o grande Comandante Geral de Eldória?! Onde você estava na hora de proteger o próprio sangue? Na hora de proteger a sua irm? das laminas da Organiza??o?!

  Zigles recuou um passo drástico, as botas respingando água, como se eu tivesse cravado uma adaga incandescente no peito dele. O silêncio agonizante e envergonhado do homem mais forte do reino foi a única resposta que eu precisava.

  — A sua amada honra de Eldória n?o salvou a minha m?e. As suas leis n?o salvaram o meu pai — eu disse, cada palavra carregada com o veneno de um luto irreparável. — Sinceramente, nada mais me prende a esta terra de fracos. Adeus, Zigles Heisenberg.

  Virei as costas, ignorando os chamados desesperados do Comandante e o olhar at?nito do Rei da Meritocracia, e subi na carruagem de Sentostela.

  Bati a porta de mogno com for?a, selando o meu destino.

  Mas, assim que a carruagem balan?ou e come?ou a se mover para fora dos port?es do cemitério, a fachada de frieza calculista que eu havia erguido desmoronou.

  O choque de adrenalina passou. Eu era apenas um menino de cinco anos órf?o. Encolhi-me no canto mais escuro do banco de veludo, puxei os joelhos contra o peito e chorei. Foi um choro silencioso, asfixiante, de quem teve o cora??o arrancado do peito a sangue frio.

  A viagem até o Reino de Sentostela durou cinco longos e tortuosos dias.

  Para mim, pareceu uma eternidade trancafiado no nono círculo do inferno. Eu n?o consegui dormir um único minuto. Cada vez que a exaust?o for?ava as minhas pálpebras a se fecharem, o pesadelo se repetia: eu via o sorriso sádico e roxo do Zack. Via a espada prateada da minha m?e estilha?ando no ar. Via o sangue do meu pai ensopando o mármore branco do palácio e sujando as minhas próprias m?os.

  Uma tempestade ácida de sentimentos me corroía por dentro: raiva, luto, confus?o e a pior de todas... a impotência absoluta. Os meus 40 pontos no atributo Resistência (o teto do Nível 2) foram a única coisa que impediu que os meus órg?os colapsassem de exaust?o e falta de sono, mas a minha mente genial estava estilha?ada em mil peda?os.

  No quinto dia, a carruagem diminuiu o ritmo e parou.

  Arrastei-me até a janela e perdi o f?lego.

  Estávamos diante das fronteiras de Sentostela. A capital n?o tinha muralhas de pedra como Eldória. O céu inteiro ao redor da cidade monumental era coberto por uma cúpula translúcida e colossal que brilhava levemente à luz do dia. A lendária Barreira Mágica do Primeiro Rei.

  Quando os cavalos cruzaram a linha invisível da fronteira, eu senti a magia avan?ada da cúpula me escanear de cima a baixo. Uma press?o imaterial sondou a minha alma, varrendo os meus pensamentos em busca de qualquer inten??o de trai??o, sabotagem ou destrui??o contra o reino. Como eu carregava apenas as cinzas do luto e a inten??o pura de treinar até enlouquecer, a Barreira n?o encontrou malícia contra a coroa. Ela me deixou passar como uma brisa suave. A sensa??o de seguran?a bélica ali era opressora, mas real. A fama de "Artilharia Pesada" do continente n?o era um mito.

  A arquitetura da cidade passava pela janela: torres refor?adas, academias mágicas exalando fuma?a alquímica e campos de treinamento ocupando quarteir?es inteiros. Foco total em praticidade militar. Zero da ostenta??o fútil e artística de Eldória.

  Fomos escoltados diretamente até o imponente Palácio Principal.

  No sal?o de recep??o, a família real me recebeu de bra?os abertos, sem formalidades exageradas. O Rei Aquamarine von Silford e a Rainha Esmeralda desceram de seus tronos de pedra polida. As express?es deles eram duras, forjadas na guerra, mas os olhos carregavam simpatia.

  Eles sabiam de tudo o que havia acontecido. E estavam profundamente gratos pelo fato de eu, no meio do apocalipse no sal?o de baile, ter segurado a m?o da filha deles e esmagado a cabe?a de um assassino a centímetros do trono. Mesmo que, naquele caos de camera lenta, eu n?o estivesse pensando em heroísmo, mas apenas em extravasar o meu desespero.

  Eu estava no mundo da lua, a mente zumbindo e a vis?o emba?ada pela ins?nia de cinco dias, quando percebi que o enorme Rei Aquamarine estava falando diretamente comigo.

  — P-Perd?o, Vossa Majestade — murmurei, piscando para afastar o torpor e curvando o corpo em uma reverência mecanica.

  O Rei sorriu. Um sorriso prático e firme, muito diferente do sorriso diplomático e falso do Rei Aldric.

  — N?o se desculpe por estar cansado, jovem guerreiro. Eu dizia: caro Igris Wolford, a sua coragem ao proteger a minha filha Saphira é uma dívida que Sentostela n?o esquece. Em nome da coroa, eu o convoco para uma audiência oficial de promo??o militar amanh? pela manh?. Aceita este chamado, menino?

  Meu cora??o deveria ter pulado de alegria. A porta para o poder estava aberta. Mas ele estava t?o afogado em cinzas que eu mal senti a batida. No entanto, o instinto de sobrevivência e a etiqueta de cavaleiro falaram mais alto. Forcei os músculos dormentes do meu rosto a criarem uma máscara de determina??o.

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  — Vossa Majestade é muito generosa. Eu aceito a convoca??o com profunda honra.

  — Excelente. A tristeza precisa de tempo, mas a espada precisa de afia??o — O Rei bateu palmas, o som ecoando no sal?o de pedra. — Joshua! Fa?a os preparativos e mostre os aposentos do nosso convidado.

  Fui guiado por um jovem guarda até uma ala silenciosa do palácio. O quarto luxuoso era o triplo do tamanho do meu em Eldória, decorado em tons de azul profundo e prata. A cama, no centro do recinto, parecia feita de nuvens. O meu corpo crivado pela dor das evolu??es do Sistema implorava por aquele colch?o.

  Mas, assim que a pesada porta de carvalho se fechou e o som dos passos do guarda sumiram no corredor... o silêncio me esmagou.

  Eu n?o consegui dar mais um passo. As minhas pernas falharam.

  Caí de joelhos no tapete felpudo e desabei completamente. A máscara de crian?a determinada quebrou em peda?os irremediáveis. Agarrei os meus próprios cabelos com as duas m?os, puxando os fios com for?a, e chorei compulsivamente. Um uivo baixo e animal escapou da minha garganta.

  Eu perdi o meu pai. Eu perdi a minha m?e. Eu vi o sangue deles.

  Eu n?o tenho mais nada.

  Toc. Toc.

  A porta se abriu devagar. O som metálico da ma?aneta me fez pular. Limpei o rosto sujo de lágrimas e muco apressadamente com a manga da camisa, mas a tentativa de disfar?ar a minha ruína foi inútil.

  Lá estava ela. Saphira Silford.

  Ela usava um vestido simples e prático, sem as joias e os adornos ridículos do aniversário. Ela fechou a porta silenciosamente atrás de si e caminhou até mim. Os olhos púrpuras e misteriosos dela n?o desviaram; eles analisaram a minha postura patética, debru?ado no tapete como um animal ferido.

  — Oi... Saphira... — sussurrei, a voz t?o rouca que mal parecia minha.

  — Caramba, Igris. Você está destruído mesmo — ela constatou, a voz seca, parando a um passo de mim.

  — Pois é. Eu perdi tudo — murmurei, olhando para as minhas próprias m?os trêmulas, deixando a escurid?o da autopiedade me engolir. — Eu n?o consegui fazer nada. N?o tenho mais nada a perder e n?o tenho mais for?as pra tentar...

  Pá!

  O meu rosto virou bruscamente para o lado com o impacto. O estalo da pele bateu nas paredes do quarto silencioso.

  Arregalei os olhos, a bochecha ardendo, e olhei para ela em choque absoluto. A princesinha de Sentostela tinha acabado de soltar o peso do bra?o e me dar um tapa com toda a for?a na cara.

  — Igris! Para de agir como um inútil! — Saphira gritou. A voz dela n?o tinha o tom de uma menina de cinco anos. Estava carregada de um peso sombrio e de uma maturidade forjada em outra vida. Claro. Ela era uma "Visitante de Outro Mundo". Uma reencarnada. Ela já havia morrido antes. Ela conhecia a perda. — Você perdeu a sua família?! Sim! Mas o que você está fazendo? Usa essa raiva!

  Eu abri a boca para protestar.

  — Mas... Saphira, eu n?o sou como a minha m?e... eu sou fra-

  Pá!

  Outro tapa, ainda mais forte, cortando a minha desculpa no ar.

  Saphira se ajoelhou rapidamente na minha frente. Ela segurou as laterais do meu rosto com as duas m?os pequenas, cravando os dedos nas minhas bochechas com for?a, obrigando-me a focar nos olhos prateados e brilhantes dela.

  — Igris Wolford, recomponha-se! — ela ordenou, o tom imperativo, mas os olhos dela transbordavam empatia e uma fúria protetora que arrepiou os meus bra?os. — Você vai levantar desse tapete. Você vai usar esse ódio maldito como combustível. Você vai abusar do seu Sistema até o seu corpo quebrar, e depois vai reconstruí-lo e quebrar de novo! Você vai ficar mais forte que aquele monstro roxo... e você vai fazer a sua vingan?a!

  Ela soltou o meu rosto, mas n?o se afastou. A express?o dela suavizou, e a arrogancia real deu lugar a algo que fez o meu cora??o falhar uma batida.

  — E além disso... eu sempre estarei do seu lado, idiota. N?o importa o inferno que você crie pra si mesmo. Nós falamos a mesma língua, nós temos o mesmo segredo, lembra? Você n?o está sozinho. Eu n?o vou deixar você ficar sozinho.

  Aquelas palavras n?o foram um consolo. Foram um feiti?o de clareza mental. Um choque elétrico de mil volts nos meus circuitos estilha?ados.

  A respira??o dela batendo no meu rosto... o brilho daqueles olhos púrpuras dispostos a descer comigo até as trevas. Naquele exato instante, no meio do meu fundo do po?o, algo diferente germinou dentro de mim. N?o era um amor infantil. Era uma admira??o profunda, esmagadora e inquebrável por aquela garota. Ela havia estendido a m?o e me arrancado da beira do abismo na base do tapa.

  Saphira Silford acabara de se tornar o meu norte.

  Ela tinha toda a raz?o. De que adiantava ficar no escuro remoendo o que a lamina de Zack levou? O Sistema estava ativo na minha mente. O teto absurdo do Nível 2 com o limite de 40 atributos estava engatilhado. O meu título punitivo e sádico de Esfor?o Dobrado estava ali, implorando para ser explorado.

  As lágrimas pararam. O vazio da tristeza recuou e uma determina??o de gelo e a?o ocupou o lugar. O meu objetivo na vida era um só: decapitar Zack Wolford e reduzir a Organiza??o das Trevas a cinzas. E dane-se quantas leis de deus ou da física eu teria que quebrar no processo.

  O alívio físico de aceitar aquela verdade absoluta foi t?o grande que a exaust?o acumulada de cinco noites em claro cortou as cordas do meu corpo. Meus olhos pesaram como chumbo. A minha consciência apagou ali mesmo, no meio da sala.

  Acabei dormindo com a cabe?a recostada no colo de Saphira, que se sentou no tapete encostada aos pés da cama. A última coisa que senti antes do apag?o foi a m?o fria dela acariciando os meus cabelos roxos, como uma guardi? silenciosa.

  Quando acordei na manh? seguinte, o raio de sol batia no meu rosto. Eu n?o estava no tapete; estava debaixo das cobertas quentes. Eu n?o era mais o garoto triste de Eldória. Eu havia renascido.

  A minha mente operava em um silêncio cirúrgico e letal. Levantei-me, vesti a túnica militar escura que haviam deixado separada para mim e marchei em dire??o ao Grande Sal?o para a audiência.

  O majestoso Sal?o Bélico do Palácio de Sentostela estava abarrotado. Magos veteranos encapuzados, generais colossais com armaduras arranhadas e rostos cruzados por cicatrizes de guerra me observavam. O clima era pesado. Uma minoria me olhava com admira??o pelo rumor do salvamento. Mas a esmagadora maioria me fuzilava com ceticismo, desconfian?a e até desdém explícito. Afinal, eu era apenas um pirralho nobre de cinco anos andando pelo tapete vermelho dos deuses da guerra.

  Ignorei as auras amea?adoras. Mantive a coluna perfeitamente reta, a minha For?a e Velocidade no limite 40 sustentando cada passo meu com a precis?o de um felino predador. Parei aos pés do trono de Aquamarine e executei uma reverência curta, militar e impecável, sem submiss?o exagerada.

  O Rei Aquamarine levantou-se. A voz grave dele silenciou os sussurros desconfiados dos generais na hora.

  — Meu caro Igris Wolford! Você demonstrou uma imposi??o de espírito e uma letalidade extraordinária ao proteger o sangue de Sentostela durante a covardia que se abateu sobre Eldória. Baseado nos relatórios dos meus melhores batedores... eu farei uma exce??o histórica na regra de idade deste Reino hoje. Você será integrado, a partir de agora, como um Cavaleiro Real em Treinamento das For?as Especiais de Sentostela!

  O sal?o irrompeu em aplausos. A maioria deles foram lentos, controlados e puramente diplomáticos por ordem do Rei. Eu sabia que, para os lobos daquele sal?o, eu ainda era apenas um c?ozinho de estima??o do rei. Eu teria que provar o meu valor quebrando a cara deles em combate.

  Mas a desconfian?a dos generais perdeu a importancia quando o som de uma bigorna mágica bateu no fundo do meu cérebro, e a tela azul rasgou a minha vis?o.

  [NOVA CONQUISTA DE SISTEMA ALCAN?ADA!]

  Título Desbloqueado: Cavaleiro Iniciante.

  Origem: Reconhecimento por Entidade de Poder Real e Aceita??o Bélica.

  Efeito Passivo Oculto: O Jogador ganha uma Hiper-Afinidade com armas de haste. A maestria com todos os tipos de laminas físicas evoluirá 20% mais rápido.

  — E assim, Igris — concluiu o Rei Aquamarine, o tom definitivo —, espero que fa?a um progresso voraz e proteja a família real com a sua vida. Você terá o seu próprio espa?o na ala de treinamento do Palácio e desfrutará dos mesmos recursos arcanos que a minha filha, Saphira, tem acesso. Esta audiência está encerrada!

  Meu cora??o, antes morto, bateu com uma fome perigosa.

  Recursos ilimitados da Família Real? Acesso irrestrito à biblioteca mágica secreta da Artilharia do Continente? O campo de sobrevivência mais insano do mundo disponível para mim?

  Aquele era o paraíso caótico que o meu Sistema punitivo implorava para consumir.

  Assim que a audiência acabou, eu recusei o banquete de boas-vindas. Eu n?o fui fazer um passeio turístico pela cidade com Saphira.

  Fui direto para as masmorras de treinamento da cavalaria de elite.

  Entrei no vestiário de pedra, arranquei as roupas nobres de seda fina que ainda cheiravam a perfume e vesti um traje de combate de couro escuro, áspero e resistente. Caminhei até a forja de armas. Ignorei as espadas de treino de metal leve e fui direto na prateleira de puni??o.

  Agarrei uma espada larga de treino forjada inteiramente em carvalho negro. Densa. Pesada como chumbo. Letal.

  Caminhei até o centro da imensa arena de areia fechada. O lugar estava vazio, silencioso como um túmulo.

  Levantei a espada negra pesada até a altura do rosto. O sorriso de escárnio de Zack Wolford queimou na minha retina como uma marca de fogo ardente.

  Um... dois... três...

  Comecei a golpear o ar.

  Pratiquei cortes diagonais, varreduras e estocadas furiosas sem parar até o sol se p?r e a arena ficar iluminada apenas por tochas. O suor empo?ou aos meus pés. O ácido lático destruía meus bra?os.

  Mas eu n?o parei. Eu tinha recuperado o meu norte. Eu tinha o Sistema. Eu tinha o arsenal de Sentostela. E eu tinha a fúria dos olhos púrpuras de Saphira nas minhas costas.

  Eu iria queimar cada fibra do meu corpo e suportar sorrindo todas as dores colaterais de reconstru??o biológica que a evolu??o do Sistema quisesse jogar na minha cara.

  Eu me tornaria um Cavaleiro Lendário e um Mago In

  tocável.

  E ent?o, eu voltaria para afogar aquele sorriso em um mar de sangue.

  [FIM DO CAPíTULO 6]

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