Puxei o cabo e levantei a espada, eu logo cambaleei, mas n?o podia falhar, nunca mais. Pelos ferimentos eu sempre entortava, mas eu treinei muito, n?o vou cair!
Um tempo segurando a espada, eu fui me estabilizando aos poucos, quando vi estava segurando ela normalmente, agora eu tinha que sacar... Mas por que eu estava t?o triste? Aquele n?o era meu sonho?
Sai para o quintal e saquei a espada, eu apertava tanto o cabo da espada que tremia, e mais uma vez eu quase tombei, mas me ergui, eu distribuía o peso pelo corpo de pouco em pouco, fiquei me concentrando o dia todo pra me estabilizar minimamente, dessa vez n?o era só sonho e determina??o, era ódio da minha própria fraqueza, mais uma vez. N?o vou sair até dominar isso da forma correta!
Ent?o fiquei dois dias tentando me acostumar com o peso, eu fazia tudo com a katana em minhas m?os, seja comer, andar ou qualquer coisa comum, foram dias até conseguir, mas finalmente me adaptei n?o me incomodava, o problema é: como luta com isso?
Tudo bem que o problema principal eu tinha superado, mas até agora eu só lutei com as m?os e com uma arma de madeira, n?o sabia como manusear aquilo, é necessário aprender a arte da katana, do zero. Eu fiz a pose mais fácil que conhecia, e pensei no meu pai e no meu av?, nos golpes que eles faziam, tentei replicar, mas caí em todas as tentativas, vários ralados apareceram pelo meu corpo: meio do nariz, queixo, bra?os, pernas. Meu cabelo atrapalhava minha vis?o, ent?o decidi amarrar, em um rabo de cavalo, decidi treinar o saque seguido por um corte, ent?o embanhei a lamina na cintura e saquei com toda minha velocidade, girei, e acompanhei de um corte de cima a baixo, descrevendo parece ser fácil, mas eu caí só de desembainhar a espada!
Com a cara cheia de terra, eu me frustrei.
—Maldita gravidade.
Eu tava xingando até a natureza? Acho que conforme evoluo, eu fico mais lélé, me levantei novamente, cair era t?o normal que o ch?o já devia estar apaixonado, que saco.
Tentei novamente o golpe, aperfei?oando cada movimento, sendo o mais detalhista possível, eu já conseguia fazer o ataque sem a espada, eu já era acostumado com a lamina, já sabia o que fazer, era só praticar.
Suspirei e me concentrei, e n?o percebi o luar brilhar no céu, e até parece que percebi aquela noite passar, os dias mais uma vez v?o se passando, mas dessa vez eram dias e noites agoniantes, tive que ficar forte n?o por querer, mas por precisar, sem família, com a decep??o dos outros nos meus ombros, com a preocupa??o de minha m?e, com o suor, o cansa?o, os machucados cobertos por ataduras em todo corpo. N?o só meu físico, mas meu mental e sentimental estavam feridos, eles sangraram várias vezes, n?o posso deixar de mencionar as cicatrizes em toda minha forma??o humana. Eita, falei algo inteligente mais uma vez!
E nesse treino, por incrível que pare?a, eu só demorei quatro dias para dominar o movimento, era meu único ataque planejado, eu tinha que treinar meus cortes e esquivas, ent?o lá vamos nós... De novo, que cansa?o...
E mais uns dias se foram, atacar, defender e desviar foram fáceis de aprender, já que eu sabia, só precisava adicionar minha espada no estilo de luta, em uma certa noite, quando a lua estava no centro do céu marcando meia noite, eu fui até a floresta onde quase morri para aquele maldito animal, eu andei até o lago e bati nas árvores, logo veio ele, aquele crocodilo que me tirou a honra e me ensinou a nunca mais subestimar nada e ninguém... Nenhum animal também.
Ele veio com seu clássico avan?o com a boca aberta.
—Sua pele é impossível para mim de cortar n?o é..?
Quando ele chegou, eu saquei a espada e desferir um corte horizontal na sua boca, arrancando sua língua e machucando seu céu da boca.
Stolen novel; please report.
—Mas como será seu interior?
Andei em dire??o ao animal, que se debatia pela dor e balan?ava sua cauda, batendo em tudo ao redor, eu desviava com calma mesmo no breu, ele avan?ou e tentou me dar uma patada, mas seus movimentos eram desesperados, eu pulei e cai em cima dele, era impossível levanta-lo... Porém.
—Você deve ter um ponto fraco, né?
Ele se debateu para me derrubar, eu levei esse golpe e cai de costas no ch?o. Mais uma vez minha imprudência gritando, mesmo lutando com aquele bicho tantas e tantas vezes...
Ele avan?ou e pulo em cima de mim, mas levantei e espada.
—Esse foi o seu erro, lagart?o!
A espada perfurou sua barriga, sua pele só era indestrutível nas costas e parte de cima, mas quem disse que ele era totalmente impenetrável? Eu forcei e cortei sua barriga ao meio, até chegar na cabe?a, eu fui banhado de sangue e sai de baixo do animal, ele caiu com a parte inferior totalmente aberta, e morto.
Eu ajoelhei apoiando na espada, cansado, ofegante e com fome, já que n?o comia a um certo tempo.
Do breu e da madrugada na casa de Zoe, ouve-se uma batida na porta, rapidamente o pai da garota atende.
—Quem é essas horas?
Ele olhou aos lados e n?o viu ninguém.
—Aqui em baixo.
Logo olhou para onde eu estava, e se assustou com minha aparência grotesca: com várias ataduras, com umas espada de verdade na cintura e cheio de sangue que n?o era meu.
—O-O que você? Suma daqui!
Eu acenei com a cabe?a concordando e deixei um saco no ch?o, era um presente. Rapidamente sumi no breu da noite, quando o homem abriu o saco, n?o pode deixar de se surpreender, ele ficou pálido e sem rea??o... N?o sabia, mas tinha a certeza que ele me amaldi?oou em seu cora??o. Cheguei a minha casa, troquei minha roupa e fui dormir, vazio, eu n?o estava feliz por levantar a espada, n?o estava feliz por matar o animal, e nem satisfeito com o saco que deixei com o pai da minha amiga... N?o sei se fiz o certo, n?o sei se fiz o errado, sei que pude provar minha for?a para ele, agora terei que esperar pelo resultado.
No dia seguinte, o homem se levantou, pegou o saco, foi até a casa de Arthur para falar com seu pai.
—O que você quer, sabe que horas s?o?
Disse Saki, o pai de Arthur. Ent?o Kujo, o pai de Zoe joga o que carregava no peito dele, o homem logo abriu o saco e se surpreendeu, ele disse em choque:
—Você fez isso?!
—Foi o garoto—Respondeu o pai de Zoe, irritado e com os bra?os cruzados, Saki logo riu e devolveu o objeto para ele. —O que faremos?— perguntou o homem loiro, logo Saki disse que ia sair para a esposa, e pediu para que fossemos até a minha casa, e dito e feito. Eu acordei com os gritos deles no meu port?o, eu me levantei, botei minha roupa, amarrei meu cabelo e sai.
—O que foi, n?o poderiam me deixar dormir mais?
O pai de Arthur se surpreendeu com minha aparência, pensou que agora sim eu parecida um espadachim pelo cabelo amarrado e as ataduras, mas o outro n?o reagiu bem, e jogou o saco em meu peito, o enorme saco... E berrou perguntando o que eu estava fazendo, eu n?o tinha entendido.
—Achei que ia gostar.
Eu disse, tirando do saco, a cabe?a gigante do crocodilo que matei, com olhos frios e olhando para os dois.
—Por que n?o aceita? é uma bela cabe?a.
Saki se surpreendia cada vez mais e nem sabia como reagir, Kujo se irritava, mas eu podia perceber em seu rosto que n?o era comigo que ele estava irritado.
—Bom, n?o precisamos brigar.
Depois de dizer isso, peguei o saco e a cabe?a do animal, e joguei de lado.
—Depois eu coloco aonde deixei o corpo.
O pai de Zoe deu um passo a frente, e gritou:
—Vocês espadachins s?o todos iguais, frios e sem sentimentos nenhum!
Eu olhava e percebia o que havia acontecido.
—Qual o seu trauma com espadachins?
Um silêncio pesado caiu sobre o ambiente, ele apertou os punhos e berrou novamente:
—Trauma? Meu problema é com você, tu e sua família vivem na insanidade, só é mais um incompetente andando por aí com uma espada, n?o ajuda ninguém!
Saki coloca a m?o no ombro de Kujo, mandando parar e dizendo que eu era apenas uma crian?a, n?o pude deixar de me irritar, pulei e agarrei na gola da camisa dele, pisando em seu peito para apoiar, olhei nos olhos do homem e disse:
—E você se chama de pai, mas onde estava quando Zoe precisou?
Fiquei encarando ele, depois fui acertado por uma cabe?ada, um soco e um chute.
—Kujo pare!
Gritou Saki, enquanto o brutamonte andava em minha dire??o, eu me levantei da poeira e sacudi meu kimono, logo outro soco veio em meu rosto com for?a, eu voei e bati em uma árvore, limpei meu nariz que sangrava e disse:
—Por que me bate?
E logo recebi sua resposta grosseira e irritada:
—Por que s?o todos iguais, todos vocês...
Depois disso, Arthur apareceu com Zoe e sua m?e, logo correu ele e ficou entre nós, e sua esposa, que nunca vi gritar, gritou pela primeira vez:
—O que pensa que está fazendo?!
E agora, o que será que todos nós espadachins temos de iguais?

