E lá estava ele, sorrindo e me olhando de bra?os cruzados, meu próximo mestre.
—Agora serei eu que vou te ensinar!
N?o podia ser alguém menos que ele...
—Pai?!
Estava em choque, e depois disse ele:
—Por que está surpreso?
A verdade que n?o esperava ser treinado por ele, mas logo me levantei e me preparei, mesmo com os bra?os cansados. Ele sorriu.
—Muito bem meu guerreiro, eu soube que você ficou muito frustrado com seus amigos talentosos, mas você tem que entender uma coisa.
Logo se aproximou de mim e se agachou a minha frente, depois segurou meus bra?os firmemente.
—Você já possui for?a, o crocodilo que você enfrentava tinha mais de uma tonelada, tudo bem que você usava a estratégia, mas mesmo assim é necessário for?a para isso.
Absorvi suas palavras, eu usava minha for?a do corpo para sair minimamente vivo das lutas.
—Erguer uma katana n?o é difícil, vamos treinar esses bracinhos para conseguir levantar, e sua avó conseguiu já te deu o meio caminho andado.
Tirou ele dois pesos dos bolso, amarrou em meus bra?os eles, cada um com seiscentos gramas, fui ao ch?o por estar cansado pela escalada, mas meu pai me levantou e me fez ficar de pé.
—Primeiro fa?a for?a nas pernas para ficar em pé.
Fiz isso, foi difícil, já que estava acostumado com peso de duzentos, aqueles eram três vezes mais pesados. Mas era possível ficar de pé.
—Viu? Você vai conseguir logo logo seu objetivo, agora quero que segure isso.
Ele jogou uma espada de madeira, a que eu ganhei no meu primeiro aniversário, ela bateu na minha cara e caiu no ch?o, logo peguei. Mas o peso da espada e dos meus pulsos n?o me deixava levantar do ch?o.
—Fa?a for?a nas pernas e costas, você consegue!
Eu tentei, e levantei com extremas dificuldades, cambaleei várias vezes segurando todo aquele peso, mas consegui me estabilizar todo desastrado.
Meu pai sorriu, um sorriso enigmático que dizia outra coisa, mas n?o sabia o que.
—Muito bem, agora quero que copie meus movimentos.
Come?ou ele a fazer movimentos de golpes cortantes, como se segurasse uma espada, eu tentei copiar, mas nem conseguia mexer os bra?os ou ficar com a coluna reta, veio ele e me ajudou segurando meus bra?os dando apoio, e ficamos o resto do dia ali, praticando com aquele peso e a ajuda, ordenou ele para n?o tirar em nenhum momento, obedeci. Quando a lua caiu fomos para casa, chegando lá minha m?e nos cumprimentou, mas havia algo errado... Seu rosto estava pálido e ela parecia doente, rápido correu meu pai, ele estava me apoiando e me soltou e eu fui de cara pro ch?o. Eles dois foram para o quarto enquanto auxiliava minha m?e, eu n?o entendi foi nada, mas tentei ir até meu quarto com aquele sufoco nos bra?os.
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Rápido dormi e para levantar de manh? foi péssimo, tudo que eu fazia normalmente era difícil agora, até para me vestir era um incomodo, mas era obviamente necessário, veio meu pai ao meu quarto me dando bom dia, e me guiando para o quintal, come?amos a repetir o treino ali mesmo, mas toda hora ele tinha que sair para auxiliar minha m?e nos seus enj?os, eu tentava fazer sozinho, mas era bem difícil, minha mente ainda estava nublada, e mais ainda agora com minha m?e "doente", ainda estava frustado com aquilo, a raiva de mim mesmo aumentava por saber que eu n?o conseguia nem levantar uma lamina de madeira com pesos nos punhos. Larguei a espada e comecei a socar o vento, era mais fácil sem o peso extra, ent?o enquanto meu pai n?o retornava, eu treinava dessa forma, tinham momentos que os pesos n?o pareciam nada, mas esses momentos duravam poucos segundos, n?o sei como aquilo acontecia, mas meu pai e minha avó me disseram que eu já tinha a for?a para levantar a Katana no meu corpo, eu precisava canalizar nos bra?os, sabia fazer aquilo nas pernas, mas n?o podia apenas fazer igual nós membro superiores, já que n?o sabia como fazer.
Eu lembrava dos ensinamentos do meu av? e sobre distribuir peso e for?a pelo corpo, e isso se tornou natural. Mas eu n?o sabia distribuir o peso dos punhos, também eu tinha que ter a for?a nos bra?os para poder cortar quando segurar a espada.
Continuei naquilo o resto do dia sozinho, já que meu pai n?o saiu do quarto da minha m?e nem por um segundo, minha avó ficava com eles e meu av? também, caso ela precisasse de algo, larguei a lamina de madeira e andei até lá, quando cheguei:
—Algum problema, Akira?
Disse meu v? agitado, ent?o disse que n?o, ele me disse que minha m?e precisava descansar, ent?o sai e fui para o meu quarto, lá dentro eu fiz mais alguns movimentos e fui dormir.
No dia seguinte
Meu pai n?o veio me buscar para o treino, ent?o fui eu sozinho para o quintal desferir golpes com aquele enorme peso, nunca tive dias t?o solitários como aquele, a preocupa??o com minha m?e aumentava cada vez mais, só que eu n?o sabia o que se passava, já que ninguém me dizia, só pude focar no treino, dia após dia...
O tempo foi se passando lentamente e meio agitados em casa por causa da situa??o dela, por algum motivo eu estava calmo, quando eu olhava para ela, n?o sentia medo de nada, sem nenhum motivo, eu sabia que estava bem de alguma forma, ent?o eu treinava tranquilo. Duas semanas se passaram comigo e aqueles pesos, eles iam ficando mais leves gradualmente. Mas ainda havia muito ch?o para eu poder realmente dizer que aquilo "n?o era nada".
Eu busquei aprender como distribuir aquele peso de melhor forma, já que meus bra?os ficavam sim mais forte, mas era muito pouco, ent?o aprendi a jogar os pesos para os ombros, aquilo aliviou um pouco e me ajudou, do ombro eu fui jogando para o tronco, de pouco em pouco eu pude me adaptar a minha dificuldade, nos fins dos dias, nas noites, eu podia ouvir minha m?e acordada, reclamando de enj?os e vomitando várias vezes, as vezes ela reclama de dores. Mas minha família estava lá por ela, eu n?o precisava me preocupar...
Certo dia, decidi pular em um rio e ficar submerso com os pesos dentro da água, a densidade da água reduziu drasticamente eles e eu pude treinar melhor meus movimentos, lentamente eu estava evoluindo mais uma vez, meu av? me ensinou que tinha tempo para tudo, a minha frustra??o sobre Arthur e Zoe era só pressa de alcan?ar o que eles conseguiram, mas assim como o fluxo da água, que parte de uma cachoeira até o oceano, eu tinha meu próprio fluxo, meu próprio tempo para evoluir, eu dan?ava em baixo D'água e repetia os movimentos que meu pai me ensinou, quando eu saía, os pesos se aliviavam levemente, bem lentamente eu estava ganhando a for?a necessária nos bra?os, e eu aprendi que aquilo era suficiente para mim, vale mais a pena subir a escada do poder lentamente do que nunca subir.
Quando eu passava sobre o arsenal do meu pai e via a katana que eu tentava erguer de longe, meu nervosismo diminuía, sabia que eu ainda n?o era capaz de erguer ela, mas assim como eu ficava mais forte lentamente, minha ansiedade e nervosismo iam indo embora, tudo no seu tempo. Como meu av? me disse...
Uma vez passei perto do quarto da minha m?e com minha família inteira lá dentro, meu av? tocava a testa dela e meu pai tocava outras partes, como bra?os e pernas secando o suor que ela tinha, mas meu av? tinha tocado acima de sua cintura e arregalou os olhos, minha avó fechou a porta e eles come?aram a discutir desesperados, eu n?o pude ouvir, mas a express?o assustada do meu av?... Me deixou preocupado.
Minha tens?o aumentava conforme os dias, ent?o eu fui diminuindo meu treino para tentar falar com a minha m?e, mas a porta do quarto dela estava sempre trancada, até que andando pela cozinha, eu vi comidas prontas, bastante comida. Como se alguém fosse viajar e algumas prontas estocadas, n?o entendi muito bem, ent?o voltei para o meu treino, que era sempre preocupado.
Um dia me levantei e vi uma carro?a parada no port?o da minha casa, dentro estava minha m?e, e meus outros familiares conversavam entre si, eu corri desesperado em dire??o, eles tentaram me segurar, mas eu passei e subi na carro?a, vi minha m?e suando e pálida, com um balde de vomito ao lado.
—Ah meu pequeno, me desculpe, n?o queria que você me visse assim...
Ignorei tudo e me ajoelhei ao lado dela e segurei seu rosto com as duas m?os, minhas m?os todas enfaixadas.
—Mam?e, o que está acontecendo?
Meu pai tocou meu ombro e disse:
—Está tudo bem Akira, nós vamos levar sua m?e para o medico na capital, vai dar tudo certo. Deixamos comida para você se alimentar.
Ent?o vi ao redor da carro?a e notei alguns sacos com comida para uma viagem meio longa, a capital ficava a quatro meses de carro?a, a ida e volta, ent?o abracei minha m?e e beijei sua testa.
—Está tudo bem, mam?e!
Disse com a voz chorosa e com os olhos tremendo para chorar, minha m?e n?o segurou as lágrimas, eu n?o podia ir porque n?o tínhamos dinheiro para pagar as entradas e nem suprimentos. Ent?o minha m?e beijou meu rosto e disse que estaria tudo bem, meu v? me arrastou para fora da carro?a e me disse:
—Meu campe?o me escute, nós vamos ficar alguns meses fora e você vai ter que se virar por esse tempo, acha que consegue se alimentar e ficar bem?
Mesmo eu sendo uma crian?a, eu tinha no??o que minha m?e precisava daquilo. Ascenei com a cabe?a e disse:
—Vov?, ajude minha m?e!
Logo fechou seu resto, e depois sorriu fortemente, tocou minha cabe?a e disse:
—Eu te juro, pela minha vida!
Eles se despediram e a carro?a partiu dali, eu estava sozinho e agora preocupado... Enquanto eu estava em busca do meu sonho, minha m?e enfrentava problemas, era a primeira vez que eu ficava sozinho, e ia ser por muito tempo... Me sentei na varanda, e chorei...

