"Acorda, fracote."
A voz era um chicote de escárnio que o arrancou da escurid?o. Moisés abriu os olhos, a sua cabe?a a latejar com uma dor surda. A primeira coisa que viu foi o rosto sorridente e arrogante de Mariana, e ao seu lado, o olhar igualmente divertido de Marco.
Quando a sua vis?o se focou, percebeu onde estava. Era um cubículo húmido e escuro, com quatro paredes de pedra e uma grade de ferro negro a servir de porta. Uma cela. Ele p?s-se de pé num instante, a adrenalina a ignorar a dor dos seus ferimentos.
"Onde est?o eles?! Onde est?o a Maria e o Rick?!", gritou ele, a sua voz a ecoar no espa?o confinado.
Mariana riu-se, um som frio e desprovido de qualquer calor. "Eles est?o a caminho de um espetáculo. Uma pequena execu??o pública para motivar as tropas."
O sangue de Moisés gelou. Sem pensar, ele avan?ou e desferiu um soco poderoso contra a grade. No momento em que os seus nós dos dedos tocaram no metal, um raio crepitante saiu da grade e atingiu-o em cheio, atirando-o violentamente para trás.
Mariana e Marco riram-se abertamente.
"Que pena", disse Mariana, com uma falsa compaix?o. "N?o vais poder ver os teus amigos a serem executados. Mas n?o te preocupes. Tu serás o próximo."
Marco encostou-se à parede. "Obrigado por me ajudares a vingar-me deste tipo", disse ele a Mariana. "Ele deu-me uma valente co?a outro dia."
"Sem problema", respondeu Mariana, os seus olhos fixos em Moisés. "Este fracote sempre foi o meu brinquedo favorito para despeda?ar."
Ignorando a dor, Moisés tentou lan?ar uma das suas esferas de energia dourada contra a grade. Mas, assim que o projétil tocou nas barras, a sua energia foi sugada, como se a grade estivesse faminta. Um segundo depois, a jaula retribuiu o golpe, disparando um raio elétrico ainda mais forte.
"é inútil tentares escapar, Moisés", disse Mariana, deliciada. "Esta cela anula e retalia contra qualquer poder."
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Ela e Marco viraram-se para sair. Antes de desaparecerem pelo corredor, Mariana olhou para trás. "Diz adeus aos teus amigos, Moisés. Porque nunca mais os vais ver."
As suas palavras pairaram no ar, mais aprisionadoras do que qualquer grade. Moisés estava sozinho, impotente. O desespero, um sentimento que ele n?o sentia com tanta intensidade desde o dia em que perdera a sua família, come?ou a afogá-lo. Ele socou o ch?o de pedra, a frustra??o a queimá-lo por dentro.
Mas ent?o, no meio do desespero, uma ideia surgiu. Uma ideia poderosa, arriscada, nascida da sua nova compreens?o dos seus próprios poderes. N?o podes ser aquilo que nunca foste, dissera o Guardi?o. Mas ele já tinha sido... Rick. Ele podia criar um duplo.
O desafio era a jaula. Qualquer energia que tocasse nas barras seria retaliada. Ele teria de passar a sua energia através das grades.
Moisés sentou-se, fechou os olhos e concentrou-se como nunca antes. Reuniu a sua energia dourada, n?o numa esfera, mas num fio fino e preciso, como uma agulha de luz. Com uma precis?o cirúrgica, ele apontou para o espa?o entre duas barras de ferro e disparou um pequeno e focado laser de energia dourada. O feixe passou pelo espa?o vazio sem tocar em nada.
Do outro lado da cela, no corredor escuro, o pequeno ponto de luz expandiu-se e materializou-se. Em silêncio, uma cópia perfeita de Moisés tomou forma, um clone feito de pura energia dourada, mas com uma aparência sólida e real.
Moisés, o original, abriu os olhos e estabeleceu uma liga??o mental com o seu duplo.
Encontra a fonte de energia desta cela, ordenou ele mentalmente. Procura por um gerador, um painel de controlo, qualquer coisa. Desativa a corrente elétrica disto. E lembra-te: sê furtivo.
O clone assentiu, os seus olhos a brilharem com a mesma determina??o, e desapareceu nas sombras do corredor.
Moisés esperou. Cada segundo era uma eternidade. Os seus pensamentos estavam com Maria e Rick. Estariam eles bem? Teria ele tempo suficiente?
Alguns minutos depois, que lhe pareceram horas, Moisés ouviu um som. Um ruído elétrico, um zumbido agudo, seguido por um estalido alto vindo da grade. A luz azulada que percorria subtilmente as barras de ferro piscou e apagou-se.
Um sorriso formou-se no rosto de Moisés.
Ele levantou-se, cerrou o punho e, desta vez, o seu soco rebentou com a porta da cela, atirando as barras de ferro retorcidas para o outro lado do corredor. Ele saiu para a liberdade, o seu clone a desvanecer-se em partículas de luz ao seu lado, a sua miss?o cumprida.
"Bom", disse Moisés para o corredor vazio, a sua voz agora fria como a?o. "Agora, tenho de salvar aqueles dois da morte."
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